09 maio, 2026

CLUBE DO LIVRO: SÓ MAIS ESSE

 Texto extraído do portal G1

O “Só Mais Esse” é um clube do livro criado em 2024 na Grande Florianópolis, com proposta de unir literatura, convivência e experiências presenciais. O grupo nasceu em São José por iniciativa da empreendedora Priscila Wessler, dona de cafeterias e lojas de chocolate, que queria aproximar pessoas através da leitura.

O diferencial do clube é justamente o clima mais afetivo e social. Os encontros acontecem mensalmente, de forma gratuita, reunindo principalmente mulheres leitoras — embora seja aberto a todos. A proposta vai além da discussão do livro: envolve cafés, drinks, brindes, descontos em livrarias e parcerias com comércios locais.

O nome “Só Mais Esse” conversa justamente com aquele impulso típico de leitores: “vou ler só mais esse livro”.

Instagram do clube: Só Mais Esse Clube

Obras que estamos lendo...

08 maio, 2026

CLUBE DO LIVRO SESC - ESTREITO

Encontro II: 8 de maio 

 

 LIVRO: Bem Vindo à Livraria Hyunam-Dong
 Um livro suave, com reflexões sobre a cura que os livros podem operar em nossas vidas, sobre o quanto o excesso de trabalho pode prejudicar a saúde das pessoas.

 Encontro I: 10 de abril

LIVRO: Trapaça

Encontro para falar de poemas. Não curto poesia, ainda.

02 maio, 2026

ENQUANTO SONHAVA E A VIDA PASSAVA


  

  Maria viveu sua adolescência num meio onde o papel higiênico eram folhas de ervas daninhas, detergente era luxo da cidade, sabonete era sabão caseiro feito com um dos porcos que não sobreviveu para o abate, só se ouvia rádios AM e se frequentava a igreja no final de semana.

   Em seu colchão de palhas de milho sonhava em concluir as séries primárias na escola isolada, recentemente batizada de multisseriada e poder ser matriculada na Escola Básica. Não deu certo. Teve que ajudar a mãe a trocar as fraldas e a dar mamadeira para o irmão, estender as roupas lavadas na cerca de arame farpado, confeccionar a vassoura que o pai acomodado adiava, degolar a galinha que seria assada no domingo, preparar o pão de milho, levantar de madrugada para carregar os frangos do aviário do vizinho, descarregar as espigas de milho e as abóboras ao entardecer.

   Trabalhando, percorrendo caminhos, colhendo frutas na propriedade vizinha, brincando nos cipós, onde quer que estivesse, estava com seus pensamentos voltados para o futuro.

   Queria aprender, almejava ser uma criatura culta. Por isso sintonizava o antigo rádio à pilha em emissoras de São Paulo, para ouvir debates sobre economia, política, educação, etc. Lia os jornais que envolviam as raras compras feitas pelo pai e as revistas que seriam eliminadas pela professora Tereza, onde descobriu uma foto do desconhecido Mick Jagger, em 1970.

  Vivia no telhado da casa ajustando a posição da antena para assistir aos programas da Globo, único canal acessível. A televisão a hipnotizava. Não podia assistir aos programas infantis porque havia sido proibida por deixar de cumprir as precoces obrigações com a casa. Mas não resistia! O medo de ser flagrada pelo pai que poderia chegar de repente do trabalho na lavoura a fazia ficar com um olho nos desenhos animados e o outro na fresta da janela. Mesmo assim era arriscado: se desligasse a velha Telefunken, poderia ser desmascarada pelo maldito ponto luminoso no centro da tela que demorava a desaparecer e se usasse sua artimanha - escurecer totalmente a imagem e diminuir todo o volume – poderia se denunciar na presença do pai, pois seu coração acelerava e a ansiedade aumentava na medida em que ele se prolongasse, tomando a água gelada diante da geladeira.

   Talvez tenha sido essa curiosidade ilimitada e a vontade enlouquecedora de saber mais que a fez devorar módulos do supletivo, passar com segurança pelos bancos que lhe garantiram outros certificados e diplomas indispensáveis para abrir novas portas para o conhecimento.

   Suas conquistas parecem ter sido oportunizadas pela providência divina, gratificando-a por ser uma das sonhadoras que provam o que John Lennon cantava: "Você pode dizer que sou um sonhador, mas não sou o único”.

 Postagem anterior: 12/03/2014

29 julho, 2014

Curso de Aperfeiçoamento para Professores de Matemática do Ensino Médio

 Para progredir é preciso estudar
Sempre torço para os times que estão mais perto das minhas origens. Seguindo esse princípio, eu iria torcer para a Argentina e não para a Alemanha na final da Copa do Mundo. Porém, quando eu soube que os alemães pesquisaram muito, investiram na qualidade, foram perseverantes na busca por excelência e acreditaram que com trabalho seriam melhores, eu quebrei meus princípios. Valorizo quem estuda para buscar recursos que podem transformar a vida das pessoas que a cercam.
Quando descobri que os técnicos dos times da Alemanha fazem capacitação com especialistas, pensei na situação dos professores brasileiros. Nós carecemos de treinamentos! Há muitos profissionais dispostos a dedicar parte do seu tempo buscando aperfeiçoamento, mas para isso, precisam do apoio das pessoas que tem o poder de executar isso.
Nos dias 22, 23 e 24 de julho estive em Florianópolis com minhas colegas Diana Morona e Maria Albertina Guizzo participando de um curso promovido pelo Instituto de Matemática Pura e Aplicada – IMPA - em parceria com a Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC. Também fizeram parte do nosso grupo duas professoras de Criciúma: Simone da Silva Pereira e Dulcelena Vitoriano.
O Curso de Aperfeiçoamento para Professores de Matemática do Ensino Médio, coordenado pelos professores doutores Márcio Rodolfo Fernandes e Mário César Zambaldi, existe desde 1991: lamentamos chegar 23 anos atrasadas! Foram três dias inesquecíveis para nós: assistimos palestras gravadas com os matemáticos de renome, descobrimos conceitos novos, resolvemos diversas listas de exercícios, discutimos as soluções e realizamos uma prova que gerou muita polêmica e aprendizagem.
Alguns comentários vão ficar em minha memória:
- É isso que precisamos nas capacitações.
- Como estou precisando estudar mais!
- Como foi que você resolveu essa questão?
- Então, vai no quadro e mostra o procedimento que você usou.
- É importante que nossa mente seja forçada, precisamos ver que existe algo além.
- Todos os professores de matemática deveriam participar desses cursos.
- É a primeira vez que participo de um curso e que os participantes saem depois do horário.
- Gastei quase todas as folhas do meu bloco de anotações.
- Antigamente a geometria era deixada no final do livro para dar tempo de não dar tempo de dar o conteúdo. (Professor Eduardo Wagner)
- Você tem que decidir se quer assistir a palestra ou ficar no celular. Esse é o mal do mundo moderno: o mundo não vive sem nós nenhum segundo, é o que me parece. (Professor Luciano)
- Na minha casa é pecado capital rasgar um livro. (Professor Ledo)
- Vetor é aquilo que transporta. O mosquito é o vetor da dengue...
- O excesso de contextualização está prejudicando o ensino da matemática.
- As Secretarias de Educação deveriam oferecer essas oportunidades aos seus educadores.
Depois da prova era a hora de voltar para casa. Imaginem cinco professoras de matemática, num carro andando no ritmo do trânsito da capital, discutindo as respostas de questões relativamente complexas, sem usar lápis e papel! De vez em quando a gente desistia de tentar descobrir quem estava com a resposta certa. Então, observávamos um pouco a chuva e o congestionamento. De repente, alguém recomeçava:
- Vocês colocaram o zero...
- A resposta da primeira era que reduziu quatro por cento?
- Como é que vocês concluíram que os múltiplos eram o 180 e o 450? O 180 eu até concordo, mas...
- Aquela questão de geometria, eu já vi que não ia resolver porque percebi que precisa conhecer alguma propriedade dos triângulos.
- Eu comecei uma questão escrevendo assim: “Vou brincar para encontrar o caminho das flores!”
- Agora eu sei o que é uma seviana. Já tinha estudado bissetriz, mediatriz e mediana, mas seviana é novidade.
- Eu nunca vou esquecer que o produto de dois números é igual ao produto do m.d.c. pelo m.m.c. desses números.
E agora, sobre a minha mesa está o livro “Temas e problemas elementares” que me convida para um conversa prolongada e profunda. Não sei quando poderei dar atenção a ele porque a realidade do dia a dia me chama!
O que tem Alemanha a ver com isso tudo? Será que preciso dizer mesmo? Não, é uma resposta lógica!
Enfim, queremos agradecer a Secretaria de Educação de Cocal do Sul por nos ter dado a chance de evoluir um pouco mais, por nos ajudar a abrir nossas mentes para novas possibilidades e por nos incentivar a melhorar nossa prática pedagógica. Sabemos que apenas com nossa boa vontade não estaríamos fazendo mais um curso.

25 maio, 2014

“Bola” do Criciúma Esporte Clube

https://www.youtube.com/watch?v=u6oT5PQ6Ig0&feature=youtu.be
    
     Moro em Criciúma há 14 anos. Aprendi a gostar dessa terra, desse povo e do seu futebol. Hoje, sou torcedora do Criciúma Esporte Clube por causa da sua torcida, não do seu time. A energia do estádio Heriberto Hülse me contagiou e esse sentimento de amor pelo futebol que nos representa será eterno.
     Sou professora há 21 anos. Aprendi a gostar de matemática, a vibrar com a aprendizagem de meus alunos e a driblar as dificuldades encontradas em sala de aula. Sou educadora, essa é minha marca, faço minhas escolhas e não posso garantir que são as melhores para a Educação. Admito que estou desistindo de “acender vela pra defunto” e preferindo “iluminar o caminho daqueles que querem sair das trevas”. Não é arrogância, embora pareça. Assim como, a bola não é bola, embora pareça!
     Como é complicado explicar como se confecciona um icosaedro truncado, resolvi convidar alguns alunos da EEF Demétrio Bettiol para me ajudarem. Escolhi alguns e sei que tem outros chateados comigo, mas não podia levar muitos para a biblioteca da escola. Trabalhamos durante três horas para realizar e registrar todas as etapas da confecção do poliedro. O resultado foi um videoclipe ensinando a montar uma “bola” para homenagear o Criciúma Esporte Clube. A figura espacial que lembra uma bola de futebol é na verdade um sólido de Arquimedes denominado icosaedro truncado. Ela é formada por 20 faces hexagonais e 12 faces pentagonais.
    A ideia surgiu conversando com as outras professoras do projeto Clubinho de Matemática. Queríamos explorar os conceitos de perímetro, área e elementos da geometria envolvendo questões das Olimpíadas de Matemática e pensamos em visitar o Estádio Heriberto Hülse e explorar a riqueza matemática presente naquele espaço. O projeto ainda está sendo elaborado, discutido e precisa ser aprovado em alguns detalhes.
    O vídeo foi postado na internet para que outros professores e alunos possam se inspirar e fazer “bolas” para decorar suas escolas para a Copa do Mundo ou mesmo para homenagear os times pelos quais torcem. Também é uma dica para ampliar o trabalho pedagógico, explorando diversos conteúdos de matemática.
     Estou muito feliz com o resultado!