26 junho, 2013

EU SEI QUE ESSA CARTA ESTÁ NO LIXO



Há uns 25 anos, uma pessoa especial na minha passagem por este mundo, leu um livro chamado “O Velho e o Mar”. De vez em quando, falava desse livro e da fascinante história de lição de vida que narrava. Em 2000 o encontrei na Biblioteca de uma das escolas em que eu trabalhava e o li. Na época, achei a história cansativa. Assisti reportagens sobre o autor – Ernest Hemingway, que se suicidou em 1961 – e sobre o livro, no Jornal Nacional. A reportagem atraiu minha atenção. Dias depois “reencontrei-me com o mesmo livro”. Resolvi lê-lo novamente, comecei depois do almoço e só parei quando terminei. Eu vi a história com outros olhos... e descobri porque “O Velho e O Mar” é conhecido no mundo todo.
        O livro conta a história de um velho e solitário pescador que tem um menino como companheiro em suas pescarias. Como não conseguem boas pescarias, os pais de Malonin – o garoto - não o deixaram mais trabalhar com o velho. Mesmo assim continuaram bons amigos. O menino tinha muita consideração pelo amigo porque foi com ele que aprendeu muitas coisas.
        O velho morava sozinho, dormia numa cama de jornais e tinha uma morada muito humilde. O seu grande valor era a dignidade e a luta.
        Depois de 84 dias sem pescar, o velho pegou seu barco e foi para o mar, dizendo que aquele seria seu dia de sorte. Durante uns quatro dias e quatro noites ele ficou no mar lutando para dominar um enorme peixe que havia caído na isca. Suas mãos doíam e a esquerda teve cãibras, comia apenas peixe, dormia com a corda que prendia o peixe enrolada ao corpo. Depois que conseguia dominar o peixe, os tubarões apareceram e o velho teve que colocar todas as forças no arpão e no remo para matá-los e espantá-los. Quando chegou à praia, só tinha a carcaça do grande peixe.
        O velho ficou só, no alto mar, com seus sonhos e pensamentos, suas fundas tristezas e ingênuas alegrias, amando com certa ternura o peixe com que travou luta até leva-lo a uma derrota leal e honesta.
        O menino encontrou o velho cansado, machucado e dormindo. Saiu chorando para buscar café e decidiu que iam pescar sempre juntos a partir de então.   
        Querida aluna, eu queria te dizer que está história mostra que nós temos que ter fé em nossa capacidade de superar os problemas e as coisas que ainda não aprendemos a fazer e  que a vida exige que façamos.
        Quando o velho termina sua luta e só lhe resta a carcaça do peixe, parece que ele não ganhou nada com isso, mas é um grande engano porque o esforço lhe deu mais experiência, dignidade e a certeza de que tem uma capacidade imensa para buscar o que deseja.
        Você acha a Matemática difícil, e aos poucos, mesmo com dificuldade, pode aprender muito. Eu te ajudo, mas depende muita de sua vontade. Porém, desconfio que é o mais complicado para ti, não são os conteúdos da minha matéria: é estar concentrada e presente.
        Desculpo-te pelas suas grosserias em sala de aula , que eu considero mais um problema de relacionamento que deves superar. Não esqueças de que se você quer o amor das outras pessoas, deve colocar muito amor no seu coração, nas suas atitudes e nas suas palavras. Não é fácil pra ninguém mudar sem ajuda e de um dia para o outro. Nem o pescador dominou o peixe no primeiro dia...
        Lute contra seus problemas e busque todos os dias de sua vida ser melhor. Eu tento fazer isso todos os minutos de minha vida e tenho melhorado bastante. Quem sabe um dia isso nos traga a felicidade plena.
        Termino desejando um abraço e muita sorte.

05 maio, 2013

SEMINÁRIO DA EDITORA SARAIVA

Foto: Luciane Idenê dos Santos Leal, Diana Morona, Ana Lúcia Pintro, Ana Cristina Alves Steinbach,
Nilbo Nogueira, Franciele Piccollo, Maria das Dores Romagna e Maria de Fátima Porto.

O Seminário da Editora Saraiva que aconteceu no dia 27 de abril de 2013, em Florianópolis, contou com a presença do renomado palestrante Nilbo Nogueira. O tema “A escola na era digital” no levou a refletir sobre a seguinte pergunta: “Por que é preciso usar as tecnologias?”
Nilbo Nogueira levou uma foto do seu tempo de estudante. Vou descrevê-la e tenho certeza que todos os leitores que tem mais de quarenta anos vão exclamar: “Eu tenho uma foto dessas!” Ele está sentado, sobre a mesa tem alguns livros empilhados, ao lado um globo e ao fundo um mapa. Por que ele mostrou essa fotografia? Para falar das diferenças entre as gerações daquela época e as de agora. Enquanto a primeira, ficava ansiosa para ver sua imagem revelada e poder mostrar aos familiares, a segunda exibe fotos instantâneas em redes sociais a todo instante.
O palestrante apresentou as diferenças entre as últimas gerações contextualizando-as com os fatos históricos em que cada uma está inserida. Contou que seu avô trabalhou na Antárctica e por isso na casa dele ninguém tomava Coca-Cola: quem fez parte da geração dos “builders” respeitava extremamente o patrão, viveu tentando construir e reconstruir o que as guerras destruíram. Os jovens de hoje não são tão submissos a essa hierarquia e nem presenciaram as tragédias e consequências cruéis do mundo em conflito!
A geração “Baby Boomers” surge no pós-guerra, quando os países retomam a paz e veem o tempo como significado de dinheiro. Trabalham muito e não sabem equilibrar o trabalho com o lazer e momentos com a família.
A geração “X” também relaciona o tempo com o dinheiro, mas começa a curtir as famílias.
A geração “Y” vive momentos de maior estabilidade econômica, nasce no momento que a internet se torna acessível, não valoriza hierarquia no trabalho, realiza multitarefas, não aceitam a cultura analógica. Não ouviram seus pais dizendo: “Ou o estudo ou a TV”: ouvem música, leem mensagens na internet, acariciam o gato com o pé, assistem televisão, fazem tudo ao mesmo tempo. Eu não acredito que eles têm tanta competência porque tudo o que fazem é superficial. No meu entendimento fazem muita coisa, mas poucas com profundidade e seriedade.
A geração “Z” surge após o ano 2000. A letra z vem de zapear que é o ato de mudar rápida e repetidamente de canal de televisão ou frequência de rádio, de forma a encontrar algo interessante para ver ou ouvir, geralmente através de um controle remoto. Etimologicamente, o zapear pode também ser demonstração de angústia, desatenção, hiperatividade, tique ou mania. Isso pode ser um alerta para a sociedade. Eles vivem em comunidades virtuais, têm acesso à banda larga, só aceitam o que tem utilidade em suas vidas (Será verdade?), também realizam multitarefas e “nasceram com um barranco no qual encostam suas costas”.
Nogueira ilustrou uma experiência pessoal para falar sobre o poder das redes sociais. Contou que deu de presente para a filha, um celular caríssimo que ela deixou cair na privada. Indignado, disse a ela: “Não é possível que alguém deixe o seu celular cair na privada. Você deve ser a única pessoa no mundo que fez isso!” A filha, então, apresentou para ele uma comunidade chamada “Meu celular na privada”. Curioso, foi ler os comentários e descobriu que discutiam sobre como tinham retirado o aparelho (se foi com a mão ou com um pauzinho), se estava sujo e se o chip não estragou.
Então, como pesquisador, resolveu verificar que tipo de comunidades existe nas redes sociais e a quantidade de membros participantes. Percebeu que muitos internautas faziam parte de comunidades como “Odeio aula + adoro ir a escola”, “Eu odeio matemática” e que poucos faziam parte de outras como “Vamos proteger o meio ambiente”. Salientou que esse é o momento de professores agirem e mobilizaram os espaços na internet que tenham bons propósitos.
Quando o palestrante apresentou a página “Diário de Classe” da aluna Isadora, de Florianópolis, o clima ficou conturbado. Uma professora explicou que ele tocou numa ferida aberta e que o papel do professor mudou muito com isso. Ele justificou que a intenção era mostrar o poder que o professor tem se souber aproveitar os recursos digitais a favor da Educação.
Nós professores não temos como fugir das mudanças provocadas pelas novas tecnologias. Talvez seja o nosso maior desafio do momento!
Concluo dizendo que o seminário foi interessante e produtivo, porém salientou o lado positivo das tecnologias. Sabemos que nem tudo são flores, há muitas pedras no caminho que dificilmente serão removidas. Nada é perfeito!

22 abril, 2013

ESTREITO DO RIO URUGUAI



Quem mora na região sul de Santa Catarina pouco sabe sobre o Estreito do Rio Uruguai. As belezas da natureza, o encanto das rochas do leito do rio e a força das águas estão na memória do povo do oeste do nosso estado.
O Estreito Augusto Cezar, “localizava-se” no município gaúcho de Marcelino Ramos e na região catarinense que “passava” por Alto Bela Vista, município que se emancipou de Concórdia em 1995. Nesse trecho de 8 quilômetros, o majestoso Rio Uruguai, que em alguns pontos chega a ter 500 metros de uma margem a outra, se espreme em um canal de 8 metros de largura por 70 de profundidade. Na época de estiagem, o leito deixa à mostra uma ponte de pedra que une Santa Catarina ao Rio Grande do Sul. No famoso Passo da Formiga era possível, mas perigoso, colocar um pé em cada estado.
Eu presenciei o enterro do Estreito Augusto César quando era estudante de um colégio estadual, no município de Concórdia. Estive lá no ano de 1990. Lembro-me dos ônibus buscando todos os alunos das escolas da região para levá-los para conhecer o lugar que seria submerso pelas águas. Um projeto da “Eletrosul” nos deu a oportunidade de testemunhar a existência de uma maravilha que seria destruída pelas mãos humanas. Diziam que era preciso sacrificar a natureza em prol do progresso, que era preciso acabar com um pedaço do paraíso na terra para que a hidrelétrica de Itá nascesse. Muita gente ficou inconformada e tentou em vão lutar contra o capitalismo que mata!
Quando o nível das águas subiu, enterrou 33 escolas, 30 igrejas, 25 cemitérios, 34 clubes comunitários, 24 campos de futebol, um hospital e centenas de casas abandonadas, além de uma imensidão em pastos e plantações. Também vão ficar submersos 148 hectares de uma mata em que viviam 163 espécies de animais.
Meu marido, Celso Luiz Cousseau, tem lembranças incríveis do lugar: boas e ruins. As recordações boas são dos momentos de acampamento, reunião de amigos, exploração das cavernas e cachoeiras, banhos e pescarias. E as ruins, são de pessoas conhecidas que morreram por não perceberem os riscos que corriam ao explorar os fascínios do lugar: “Foi aí que o Pedrinho e as duas filhas morreram. Ele foi encontrado abraçado a uma delas!
Foi também nesse cantinho do mundo que meu marido viveu uma das experiências mais marcantes em sua vida. Uma vez, ele e um amigo estavam num caíco que as correntezas puxavam para um dos “trituradores”. Remaram com todas as forças enquanto ouviam os gritos desesperados do dono do restaurante que havia nas margens do rio. Até hoje, diz que foi Deus quem empurrou a pequena embarcação para fora da área de perigo. Talvez, ele seja um sobrevivente das armadilhas do estreito do Uruguai!
Como eu gostaria de poder voltar lá! Não dá mais. Posso reviver através das imagens, mas não tem a mesma emoção. Tem coisas que perdemos para sempre, mas que eternamente ficarão em nossas memórias. A vida é assim mesmo...

20 março, 2013

DARCY RIBEIRO ME FAZ REFLETIR


Darcy Ribeiro marcou extremamente a sociedade brasileira pela sua luta política. Conviveu muitos anos com índios do Pantanal e da Amazônia. Foi preso e exilado por desejar melhorar a vida do povo brasileiro. Trabalhou no Senado para compor a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Infelizmente, suas ações democráticas foram interrompidas em decorrência de um câncer. 
Em sua crônica “Conselhos” encontrei um trecho com o qual me identifiquei parcialmente. Darcy Ribeiro diz para ninguém se equivocar, achando-o um sábio. Acrescenta: “Ocupado em ler – consumo livros como uma traça – e escrever – que foi a melhor forma que achei para aprender – me fechei para o mundo. Virei um erudito come-papel que não sabe dançar nem se divertir e não é capaz de fazer nada com as próprias mãos, nem a comida que come.” 
Diante de uma natureza diversificada, de inúmeros seres vivos, de espaços longínquos, de profundos segredos humanos, deparo-me com a minha condição de eterna ignorância. Percebendo as limitações do próximo, afloro em mim o desejo de saber mais, para melhor cumprir minha função de educadora. Não posso ser discípula de um mestre letrado, culto e altruísta, porque este não existe, sendo assim, me inspiro no que acredito. Fujo da comodidade para não perder tempo. Contato humano me enriquece. Sentimentos de incapacidade, frustração e dor provocam-me a reflexão. Ação, trabalho, convicções e alegria me transformam. O ato de escrever amadurece meus pensamentos, aprofundando as percepções da vida que levo.  
Encontrei na escrita uma forma de aprender. Não percebi ainda se em função disso me fechei para o mundo. Creio, porém, que se eu parar, o mundo fechará as portas para mim. 
A geração atual esconde suas potencialidades, desiludida. Desconhece o poder de criação inato a ser desenvolvido. Prefere deitar suas forças no sofá, anestesiada pela programação tendenciosa da mídia. Aguarda a resposta certa, ao invés de buscá-la e questioná-la. Não sabe duvidar com argumentos. A falsa paz química detona com as esperanças de uma nação solidária e feliz. Há indiferença quanto ao que lhe reserva o futuro. Não existe resistência à dominação dos poderosos. A poluição ambiental e mental se alastra desastrosamente! 
Não penso que a sociedade deva acabar com a ignorância presente. A infinidade dos mistérios sabe que o conhecimento humano corresponde a um átomo do Universo. Como uma pessoa comum infiltrada no meio letrado, sonho em ver aumentando o número de seres humanos que desequilibram essa diferença de poder entre os abastados e os desprivilegiados economicamente. 
Os participantes desse mundo precisam conhecer suas capacidades interiores, valorizar a cultura na qual estão inseridos, atar laços de união, dar credibilidade à educação, abandonar a comodidade e lutar pela cidadania. Alguém poderá estar ironizando esse parágrafo dizendo: “Que descoberta fantástica!” E eu, diria que realmente acho esta descoberta fantástica... 
Muitas pessoas dirão que essa é uma situação complexa e que não se sabe se há forças suficientes para iniciar consideráveis mudanças. Eu só queria que soubessem que estou tentando fazer minha parte, inclusive, escrevendo, sem qualquer pretensão que exceda  o meu desejo de refletir e de expressar meus pensamentos.

11 fevereiro, 2013

SEMANA PEDAGÓGICA

SEMANA PEDAGÓGICA

A Semana Pedagógica de Cocal do Sul marca o início de mais um ano letivo. São dias que além de revermos os colegas de trabalho, também refletimos sobre a prática pedagógica e discutimos novas ideias para qualificar nossas aulas.
A abertura da Semana Pedagógica contou com a presença das pessoas que têm a nobre função de oferecer recursos para que a Educação seja valorizada. A Secretária de Educação solicitou que trocássemos energias abraçando nossos colegas. A Vice-Prefeita reforçou que as crianças gostam de receber o carinho humano, falou das dificuldades da sala de aula, prometeu um salário justo, rever o Plano de Carreira e que a Educação de nossa cidade será referência daqui quatro anos. O Prefeito disse que sua mãe era professora e que defenderá o trabalho nobre do funcionário público.
O palestrante Braz Cizeski iniciou seu trabalho tocando violão e cantando a música “É preciso saber viver”. A letra já fundamenta suas palavras em relação à vida: “Há duas formas de viver. Podemos viver com estresse ou com prazer.”
Falou muito sobre o CHA do educador: Conhecimento, Habilidades Humanas e Atitude. O aprendizado é contínuo, a formação nunca se finda, somente a flor morta pára de crescer. O educador tem um alto grau de humanidade e por isso deve estar atento aos seus valores, respeitar as diferenças e ter cuidados com as palavras. A atitude é o compromisso imprescindível para fazer as mudanças prioritárias no espaço escolar.
Uma brincadeira séria marcou esse encontro. Todos os cursista, de pé, proferiram no melhor tom de voz possível: “Eu sou capaz. Sou movido a metas e objetivos. Nunca desisto dos meus sonhos. Acredito na força do entusiasmo. Eu nasci para vencer.
O tema “Leitura e Escrita” não me agradou muito porque minha área é matemática. Pensei que eu ia ouvir sobre um assunto específico para professores das Séries Iniciais ou de Língua Portuguesa. No entanto, a professora Rosandra Hubb abordou de uma maneira abrangente que provocou análises que perpassam os limites das disciplinas.
Fizemos uma atividade que a princípio parece “chover no molhado”. Discutimos o que o professor precisa ter, ser e fazer para oportunizar e desenvolver habilidades de leitura e escrita. O que o professor precisa ter? Conhecimento, paciência, planejamento e compromisso. O que o professor precisa ser? Criativo, ousado, mediador, compreensivo, leitor, pesquisador e organizado. O que o professor precisa fazer? Ouvir o aluno, refletir sobre suas experiências, trocar ideias com os colegas, propor desafios, acompanhar notícias, ler bons livros, assistir filmes interessantes, contar histórias e inovar sempre. Parece sermão de padre! E, nessa hora vemos que temos que ir mais à missa...
Outro tema escolhido pela equipe que organizou essa semana pedagógica foi Planejamento de Ensino. Confesso que depois de 20 anos de trabalho não me agrada mais falar sobre planejamento e avaliação. Parece que esgotamos tudo. Um diálogo entre um velho que trabalha num posto de gasolina e um jovem ginasta, que assisti no filme “Poder além da vida”, vem à minha memória:
- Eu sei mais do que você imagina.
- Você pensa que sabe mais do que sabe. Conhecimento não é o mesmo que sabedoria?
- É mesmo? Qual é a diferença?
- Você sabe limpar o pára-brisa, não sabe?
- Sei.
- A sabedoria é agir.
A professora Maria Helena Meller falou sobre a importância do regimento da escola, dos diários de classe, da Proposta Pedagógica, do conhecimento das leis e do Planejamento. Conhecemos tudo isso e talvez nos falte a sabedoria. O tempo dirá se temos conhecimento e sabedoria!

18 janeiro, 2013

RIQUEZAS DO PARQUE ECOLÓGICO DE MARACAJÁ


No final do ano passado aconteceu um passeio de estudos, com uma turma de alunos, ao Parque Ecológico de Maracajá. Durante a caminhada sobre as trilhas suspensas o grupo foi acompanhado pela Bióloga Gisele da S. Garcia Dal Pont. A cada parada, aprenderam muito com as explicações oferecidas: tiveram uma excelente aula de Ciências.
Os alunos iniciaram a caminhada aprendendo sobre a importância do coqueiro Jerivá, que dá nome ao Centro de Eventos do local, para a alimentação dos macacos-prego. Questionaram sobre a possível presença de cobras no caminho. Foram instigados a descobrir que os líquens são as manchas vermelhas encontradas nos caules das árvores. Verificaram que o solo do parque é conhecido como turfa, ou seja, formado por restos de animais e vegetais. Conheceram árvores que foram derrubadas pelo Furacão Catarina. Encantaram-se com o tamanho e o poder de destruição das raízes das figueiras. Apreciaram uma borboleta visitando as flores do guaco. Foram informados que na trilha do Palmito só resta um exemplar dessa planta muito explorada no passado. Viram urtigas que queimam a pele ao serem tocadas. Ouviram o alvoroço das cigarras anunciando o verão. Descobriram que o capim “cresciúma” é uma praga porque sufoca as plantas do parque. Passaram por uma área que costuma ser alagada durante as enchentes. Compreenderam que a embaúba foi muito importante para os nossos antepassados que a aproveitaram para fazer canalizações e que a embira foi muito utilizada para fazer balaios, cordas para amarrar os gados e buçal. Estranharam o uso do caeté para assar o pão e fazer “copos” para tomar água. Impressionaram-se com vários insetos amontoadas em uma folha. Também encontraram ao longo da trilha outras plantas como: tucaneira, babaçu, ingá-banana, tarumã, cambuí, ipê, orquídeas, pau-de-orelha e xaxim.
            Após percorrer as trilhas os alunos jogaram vôlei, brincaram nos balanços, visitaram o viveiro e reuniram-se protegidos pelas sombras dos eucaliptos para lanchar, conversar e ouvir música.
            Nunca é demais falar desse lugar! Quem não conhece, deve aproveitar um fim de semana para curtir a natureza e a família.
            Quem quiser conhecer os detalhes das explicações pode assistir o vídeo no you tube:

Passeio de estudos dos alunos da EMEIEF Padre José Francisco Bertero ao Parque Ecológico de Maracajá, em dezembro de 2012.

12 novembro, 2012

IN GOD WE TRUST



            “In God we trust” significa “Em Deus nós confiamos”.
Onde você imagina que eu li essa frase? Numa camiseta que alguém comprou sem se importar em traduzir as palavras estrangeiras? Num livro de um curso de inglês? Foi na capa de um vídeo? Num trailler de um filme? Num CD religioso ou de rock? Não, não foi.
            Já que é difícil descobrir, vou facilitar, dar uma pista. Pense na frase “Deus seja louvado”. Há muita semelhança entre a fonte desta expressão tão conhecida de todos nós brasileiros com a anterior. Onde você já leu está frase? Num folheto de culto e na Bíblia? Isso. E onde mais? Não consegues lembrar? Pense bem.
Se fosses mais detalhista poderias ler “Deus seja louvado” quase todos os dias. Ela acompanha o beija-flor, a tartaruga-marinha, a garça, a arara, o mico-leão-dourado, a onça ou ... Não me lembro que bicho estamparam na nota de cem reais! Percebo que atrapalhei sua descoberta. É, todas as cédulas dizem algo que não combina muito com qualquer moeda que o Brasil já teve. O dinheiro tem estreitas relações com ganância, desonestidade, discriminação, exclusão, pobreza, tráfico, politicagem, etc. É incoerente registrar algo tão puro num papel cada vez mais imundo por causa dos interesses desumanos.
Estaremos louvando a Deus quando os moradores de rua tiverem uma casa aconchegante, as crianças não sentirem fome, os doentes receberem o tratamento correto, as famílias não precisarem temer o fantasma do desemprego, os investimentos estiverem voltados para invenção de coisas úteis, os poderes públicos forem formados por gente que trabalha pelo bem social, e enfim, as riquezas forem mais bem repartidas.
Pelas coisas que escrevi, já deixei evidente que a frase que intitula minha crônica, está impressa numa moeda dos Estados Unidos da América. Encontrei-a, perdida entre tantos centavos de Euro, que foram trazidos por um trabalhador criciumense que esteve em terras portuguesas.
Outra coisa interessante que observei, desta vez, nos centavos da moeda comum dos europeus portugueses foi a letra T destacada dentro do nome de seu país, parecendo mais com a cruz de Cristo do que com a cruz de Malta.
Penso que os americanos podem escrever que confiam em Deus, mas não deve ser recíproco. E os brasileiros não se comprometem tanto pedindo apenas que Deus seja louvado.

22 outubro, 2012

PASSEIO DE ESTUDOS DA ESCOLA DEMÉTRIO BETTIOL



Alunos da EEF Demétrio Bettiol de Cocal do Sul, acompanhados pelas professoras Luciane Burigo Mathiola, Charlene Cardoso e Ana Lúcia Pintro visitaram o Grupo RBS TV de Florianópolis, nesse sábado, dia 20 de outubro. No estúdio de gravação da TV.com, participaram de uma palestra com o meteorologista, Leandro Puchalski, que apresentou os recursos que usa para fazer as previsões do tempo e respondeu aos questionamentos dos estudantes sobre furação, tornados e raios. Os estudantes tiveram a oportunidade de simular uma gravação do programa usando as câmeras do estúdio.
Os estudantes conheceram o projeto Tamar, na Barra da Lagoa, onde verificaram a importância de projetos ambientais que preservam as tartarugas marinhas, realizaram um passeio de escuna na Lagoa da Conceição e uma trilha na Praia da Galheta e visualizaram a cidade do mirante do Morro da Cruz.


      PASSEIO DE ESTUDOS DA ESCOLA DEMÉTRIO BETTIOL

            O ato de educar transcende a sala de aula. Quem nunca ouviu isso? Obviamente nossos alunos são alunos dos professores, mas também são alunos dos seus pais, dos vizinhos, dos religiosos, dos próprios amigos, dos programas de televisão, das músicas, da sociedade. O que eles aprendem de bom e de ruim é reflexo das ações da presença ou da ausência de todas essas pessoas em suas vidas.
Queremos uma Educação de qualidade, sonhamos com isso! Acreditamos que o poder público pode proporcionar recursos para garantir o sucesso dos educandos. Planejamos aulas pensando em métodos mais eficientes. Desejamos provocar mudanças comportamentais pautados no diálogo diplomático. Mas, nem sempre percebemos o quanto nossas decisões podem transformar vidas. Temos a triste tendência de chorar pelos “casos perdidos” e esquecemos-nos de buscar a vibração positiva das crianças e dos adolescentes que serão “casos de sucesso”. Essa lição é difícil de aprender.
Programamos um passeio de estudos para Florianópolis envolvendo os alunos das turmas 703 e 704 da E.E.F. Demétrio Bettiol. Um dia antes da viagem eu perguntei se estavam ansiosos e metade da turma me disse que não ia sequer dormir. Então, me questionaram: “E você, professora, não está ansiosa também?”. Respondi que em alguns momentos me sentia feliz em poder viajar com eles, e derrepente me dava conta do peso da responsabilidade e pensava que devia ter escolhido ficar em casa assistindo o Caldeirão do Huck. Mas, eu sabia que a preocupação seria esquecida quando eu os visse descobrindo outros lugares, outros mundos.
O metereologista Leandro Puchalski apresentou os recursos que usa para fazer as previsões do tempo e respondeu aos questionamentos dos estudantes sobre furacão, tornados e raios. Conversaram sobre o furacão Catarina que ocorreu em 2004, quando a maioria deles mal sabia falar. Descobriram que nos Estados Unidos os nomes dos furacões são dados em ordem alfabética e alternam entre um nome feminino e um masculino. Tentaram compreender como uma tromba d’água se forma sobre o mar. Queriam saber se o raio parte do solo ou das nuvens. Depois, tiveram a oportunidade de simular uma gravação do programa usando as câmeras do estúdio.
Alugamos a escuna Ondança que pertence ao casal holandês, Diter e Annemarie. Saímos da Lagoa da Conceição e fomos até a Barra da Lagoa. O trajeto é feito em aproximadamente 45 minutos. Apesar de ser tranqüilo exigi que os alunos colocassem o colete salva-vidas: havia prometido aos pais quando solicitei a autorização. Eu tinha consciência de que estava sob minha responsabilidade a maior riqueza de dezenove famílias.
Depois do almoço atravessamos uma ponte pênsil para fazer uma trilha até a Praia da Galheta. Pareciam formiguinhas desnorteadas andando sobre as pedras! Nem sempre os gritos são bem recebidos pelos professores, mas naquele momento eram gostosos de ouvir. Dois alunos voltaram para casa um pouco esfolados nas pernas, mas nada grave. Sempre digo que quem não tem cicatriz no corpo, não teve infância.
Permiti que molhassem os pés na água salgada, alguns ultrapassaram o limite dado, mas como o local da praia não apresentava riscos, não proibi que curtissem o mar um pouco mais. Na verdade, eu queria estar junto!
Os estudantes conheceram o projeto Tamar, na Barra da Lagoa, onde verificaram a importância de projetos ambientais que preservam as tartarugas marinhas. Conheceram os tipos de tartaruga que habitam no litoral brasileiro, demonstraram procedimentos para salvá-las, viram que o lixo é responsável pela morte de muitas delas, obtiveram informações sobre a reprodução, enfim, puderam verificar o comportamento delas em cativeiro.
Concluo dizendo que o passeio foi intenso, de muito aprendizado, de muita alegria. Só não foi perfeito porque o Guga não estava em casa, segundo o porteiro. Tenho certeza que um dia meus alunos poderão esquecer de mim, mas jamais esquecerão desse dia!