Jornal de Cocal: 2003
Já anoiteceu. A maioria da pessoas curtindo Mulheres Apaixonadas e comparando sua vida familiar com a das personagens, comentando as baixarias entre parentes mostradas por um miserável rato - sem querer ofender a espécie – ou deliciando-se com fofocas do mundo artístico apresentada pelas peruas - repito: sem querer ofender a espécie. Enquanto isso, ele abre os sacos de lixo para procurar algo muito valioso: comida.
Muitos de nós já vimos esse homem, porém, pouquíssimos podem ter visto seu rosto. Está sempre com uma surrada calça jeans, um moletom de gorro que coloca sobre o boné, com certeza para esconder-se da sociedade, sem necessidade, porque esta já lhe é indiferente. Pelo porte físico, penso que sua idade não ultrapassa os 35 anos. Por intuição, acredito ser uma pessoa normal. É, eu acho que ele é normal porque sinto que tem vergonha de mim... e de viver assim!
Esse maldito ser humano mexe com meus pensamentos porque ele é bendito. Questiono-me sobre sua história e sua personalidade. Quem serão seus pais? Onde ele mora? Sabe ler e escrever? Tem algum amigo? Só come o que encontra no lixo? Já teve algum emprego? Tem mesmo vergonha de viver dessa maneira? Vai me ignorar ou me atacar se eu lhe oferecer um pedaço do pão que comprei? O que faz durante o dia? Como terminará sua passagem pela Terra? Sinto vontade de escrever para a moça que fez uma reportagem sobre uma família que vive no interior isolada da sociedade e sem certos confortos imprescindíveis nos dias de hoje e pedir para que se aproxime dele e descubra o que eu quero saber. Como estou sendo sensacionalista!
Todos esses questionamentos me conduzem a uma forte lembrança que tenho de um passeio que fiz à capital riograndense. Em frente à matriz, “belíssima em seu interior físico”, alguns homens me estenderam a mão pedindo alimento. O sol batendo em seus rostos suados, em seus corpos imundos, em sua pele negra amarelada, em seus olhos desiludidos e em seus estômagos vazios, me deixou horrorizada. Foi uma cena semelhante àquela do filme em que um mendigo repete insistentemente para a Madre Tereza de Calcutá: “Tenho sede, tenho sede, tenho sede...” É lamentável que pessoas, como eu, não tenham a força e o amor sublime daquele mulher.
O nosso mendigo, me faz ter medo de como será o futuro do meu filho que sequer foi concebido. Será que estarei viva para lhe dar no mínimo um copo de leite, um limpo cobertor, um livro e um toque? Se ele se encontrar sozinho nesse mundo, conviverá unicamente com pessoas que, como eu ,sentem por ele piedade e curiosidade somente? Eu não sei direito, mas talvez, querendo olhar nos olhos do mendigo da minha rua, eu sinta medo, muito medo do que ele pode me fazer descobrir.
Muitos de nós já vimos esse homem, porém, pouquíssimos podem ter visto seu rosto. Está sempre com uma surrada calça jeans, um moletom de gorro que coloca sobre o boné, com certeza para esconder-se da sociedade, sem necessidade, porque esta já lhe é indiferente. Pelo porte físico, penso que sua idade não ultrapassa os 35 anos. Por intuição, acredito ser uma pessoa normal. É, eu acho que ele é normal porque sinto que tem vergonha de mim... e de viver assim!
Esse maldito ser humano mexe com meus pensamentos porque ele é bendito. Questiono-me sobre sua história e sua personalidade. Quem serão seus pais? Onde ele mora? Sabe ler e escrever? Tem algum amigo? Só come o que encontra no lixo? Já teve algum emprego? Tem mesmo vergonha de viver dessa maneira? Vai me ignorar ou me atacar se eu lhe oferecer um pedaço do pão que comprei? O que faz durante o dia? Como terminará sua passagem pela Terra? Sinto vontade de escrever para a moça que fez uma reportagem sobre uma família que vive no interior isolada da sociedade e sem certos confortos imprescindíveis nos dias de hoje e pedir para que se aproxime dele e descubra o que eu quero saber. Como estou sendo sensacionalista!
Todos esses questionamentos me conduzem a uma forte lembrança que tenho de um passeio que fiz à capital riograndense. Em frente à matriz, “belíssima em seu interior físico”, alguns homens me estenderam a mão pedindo alimento. O sol batendo em seus rostos suados, em seus corpos imundos, em sua pele negra amarelada, em seus olhos desiludidos e em seus estômagos vazios, me deixou horrorizada. Foi uma cena semelhante àquela do filme em que um mendigo repete insistentemente para a Madre Tereza de Calcutá: “Tenho sede, tenho sede, tenho sede...” É lamentável que pessoas, como eu, não tenham a força e o amor sublime daquele mulher.
O nosso mendigo, me faz ter medo de como será o futuro do meu filho que sequer foi concebido. Será que estarei viva para lhe dar no mínimo um copo de leite, um limpo cobertor, um livro e um toque? Se ele se encontrar sozinho nesse mundo, conviverá unicamente com pessoas que, como eu ,sentem por ele piedade e curiosidade somente? Eu não sei direito, mas talvez, querendo olhar nos olhos do mendigo da minha rua, eu sinta medo, muito medo do que ele pode me fazer descobrir.
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