Jornal de Cocal: 15 de março de 2004
Hoje de manhã, um menino me contou com a maior empolgação, que no último final de semana esteve na praia com sua turma de amigos e mataram uma cobra encontrada nas dunas. Me disse que ela era preta e vermelha; a cor preta se apresentava prateada quando exposta ao sol. Perguntei porque fizeram aquilo e ele afirmou que a cobra queria “pegar” a Débora, sua irmã. Questionei se realmente era essa a “intenção” daquele réptil tão perseguido a pedradas e pauladas, enfim, incrivelmente assustador para os seres humanos que ignoram sua natureza geralmente inofensiva. Nem preciso explicar que não havia dúvidas para o grupo de que tinham que tirar a vida da coitada. Quantas morreram sem terem as presas para inocular o veneno em algum ser que as ameaçasse!
Hoje de manhã, um menino me contou com a maior empolgação, que no último final de semana esteve na praia com sua turma de amigos e mataram uma cobra encontrada nas dunas. Me disse que ela era preta e vermelha; a cor preta se apresentava prateada quando exposta ao sol. Perguntei porque fizeram aquilo e ele afirmou que a cobra queria “pegar” a Débora, sua irmã. Questionei se realmente era essa a “intenção” daquele réptil tão perseguido a pedradas e pauladas, enfim, incrivelmente assustador para os seres humanos que ignoram sua natureza geralmente inofensiva. Nem preciso explicar que não havia dúvidas para o grupo de que tinham que tirar a vida da coitada. Quantas morreram sem terem as presas para inocular o veneno em algum ser que as ameaçasse!
Um outro dia, durante uma aula de Matemática, uma de minhas alunas assustou a turma com um grito. Uma aranha do tamanho de um grão de milho caminhava sobre seu caderno e sem demora ambos estavam no chão. Se não corro em defesa da pequenina, um dos muitos pés que se apresentaram a teriam esmagado. Acalmei a turma, peguei uma folha e aproximei da aranha que logo subiu na superfície branca, e então, levei-a até a janela de onde saltou para o telhado do prédio ao lado. Até que ponto esse animalzinho é um perigo? Que mania que se tem de matar os mais fracos? Quais as origens desse instinto de atacar cobras e aranhas?
Lembro-me da época em que meus tios criavam porcos em grande quantidade. Para alimentar os suínos, sempre tinha muita quirera dentro dos chiqueiros e conseqüentemente, inúmeros ratos. Freqüentemente, as famílias faziam visitas umas as outras durante a noite e os meus primos se reuniam com baldes e paus para exterminar ninhadas de ratos. Era uma festa correr atrás deles, levantar tábuas, dar pauladas, ouvir os gemidos e exibir a quantidade morta. Eu sentia vontade de vomitar e ao mesmo tempo a curiosidade me impulsionava a observar. Concordo que estes ratos davam prejuízos a medida que se multiplicavam. Alguém discorda?
Em minha casa tem aparecido baratas todos os dias. É difícil acabar com esses seres tão nojentos, do ponto de vista da maioria das pessoas, que resistiram aos terremotos pré-históricos, onde nem os dinossauros resistiram. Elas comem de tudo e ao capazes de ficar meses sem tomar água. Os venenos que uso não tem se mostrado eficientes e por isso comecei a persegui-las com um pedaço de papel higiênico, onde as enrolo e jogo no vaso sanitário, dando no mínimo duas descargas. Meu marido disse que elas voltam, e por achar que pode ser verdade, tomo coragem e dou uma esmagadinha... Não acho difícil capturá-las, com exceção das enormes, pois são um pouco mais rápidas que as lesmas.
Todos nós cometemos esse tipo de crimes contra os animais. Temos nossas justificativas, embora nem sempre tenhamos realmente uma boa razão. É bem possível que um dia tratem a meus primos e a mim como bandidos pelo que fizemos, como eu recrimino que mata cobras e aranhas. Porém, tenho certeza de que não estarei aqui para ouvir as críticas.
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