Jornal de Cocal: 9 de junho de 2004
Há tantas coisas fora da escola que “impedem” os professores de ampliarem seu universo cultural, como os filhos, o marido, as amigas vizinhas, os parentes, a novela das oito, o alto custo dos livros, das revistas, dos jornais, dos computadores, dos ingressos de cinema e de teatro, quando tem algum se apresentado na cidade. Mas, o maior empecilho para sua qualificação profissional é a falta de tempo. O grande culpado é de fato o tempo...
Há tantas coisas fora da escola que “impedem” os professores de ampliarem seu universo cultural, como os filhos, o marido, as amigas vizinhas, os parentes, a novela das oito, o alto custo dos livros, das revistas, dos jornais, dos computadores, dos ingressos de cinema e de teatro, quando tem algum se apresentado na cidade. Mas, o maior empecilho para sua qualificação profissional é a falta de tempo. O grande culpado é de fato o tempo...
Há tantas coisas dentro da escola que impedem o professor de aprender. Podemos citar a falta de comunicação com os colegas no sentido de trocar experiências, o estresse provocado pelos inúmeros alunos problemas, a dependência histórica dos livros didáticos, a falta de iniciativa e criatividade herdada da educação tradicional, o pouco tempo reservado para preparar as aulas, os raros cursos de formação proporcionados e a descrença no potencial transformador que faz parte da profissão que e uma grande missão.
Já me decepcionei e reclamei muito dos meus alunos. Eu achava que não aprendiam simplesmente porque não tinham interesse e estudavam pouco. Depois que descobri que meus colegas de profissão tem um comportamento semelhante ao dos alunos, em cursos e palestras, mudei bastante minha opinião. Penso que ao contrário dos professores, os alunos tem interesse, e que realmente estudam pouco porque seguem exemplos. Queremos que nossos alunos façam o que dizemos e não o que fazemos. Nossas desculpas valem, a deles não. Nossos argumentos são incontestáveis, os deles não. Fazemos o máximo que podemos, eles não.
Temos uma boa bagagem da disciplina que lecionamos porque a vivenciamos diariamente, prova disso, é nossa ignorância em relação as demais. Temos que prazer em estudar a vida que nos cerca e que se manifesta não só na Geografia, na História, nas Artes, na Matemática, na Educação Física, na Sociologia, nas Ciências, na Língua Portuguesa ou Inglesa. Não quero dizer que temos que nos aprofundar em todas as áreas, mas que precisamos gostar de cada uma. Essa integração nos da sustentação para crescermos com mais poder.
Tive um professor de Filosofia, na faculdade, que fez uma pergunta que jamais esquecerei: “De que adianta eu saber qual é a fórmula química da água? Quanto serei melhor por causa disso?” Na época eu fiquei surpresa com esse questionamento e hoje eu simplesmente consigo responder: “Não sei o quanto sou melhor por conhecer a resposta, mas sei, o quanto eu seria considerada pior por desconhecê-la.” Talvez o tempo não tenha me ajudado o suficiente para entender a questão. É, essa incerteza que me incomoda, só pode ser culpa do tempo.
Nenhum comentário:
Postar um comentário