Há muitas coisas atraentes fora da escola que “impedem” os alunos de fazerem suas tarefas escolares, como, a Malhação, os filhos da mamusca, a privilegiada pista de skate, a ausência dos pais, o canal de acesso ao mundo, os jogos eletrônicos, o despertador que não funciona, os passeios sem rumo e as conversas banais.
E também há tantas coisas, algumas idiotamente interessantes, que atrapalham a atenção e o aproveitamento das aulas no momento mais certo de aprender. Dentre elas, podemos citar os pedacinhos de papéis em forma de bolinhas colocados dentro do tubo da caneta e arremessados para o colega, os bilhetes com uma frase em inglês que diz que fulano é um porco ou que beltrana é BV (se você não conhece a sigla pergunte para qualquer adolescente que certamente lhe explicará), os apelidos criados maldosamente, as piadas sem graça que caracterizam alguém, a agenda do dia anterior para atualizar, os socos de brincadeira e até os “de verdade”, os olhares provocados pela força dos hormônios, o corretivo que precisa ser emprestado, o tempo de troca de aula que é confundido com intervalo e os espinhos grudados no assento das cadeiras. Apesar de tudo isso ser inconveniente, sabemos que são situações inevitáveis.
Há também tantos ruídos externos que tiram a concentração da turma. Às vezes, a comunicação em sala de aula é prejudicada pelo barulho de empresas instaladas nas proximidades, pelos pedreiros fazendo reformas, pela constante circulação de carros e caminhões, pelas crianças praticando educação física, etc. E raramente, por um gatinho que entra miando ou uma vaca que urra no potreiro. Disso, nem os alunos tem culpa. E natural que perdam a linha de raciocínio com tanto barulho!
Tem uma vaca que tem perturbado a aprendizagem, em especial de um dos meus alunos. Por causa dela, ele não ouve as explicações, ri quando lhe chamo a atenção, não copia os exercícios, deixa de fazer as tarefas e esquece de fazer os trabalhos. Esses dias, durante uma prova, eu percebi que esse garoto olhava fixamente pela janela, certamente, atraído pelos urros da vaca. Tive a certeza de que sua nota novamente não seria superior a um e ele iria justificar a média no boletim, afirmando: “Aquela vaca me deu essa nota.” E certamente, se soubesse disso, a vaca se defenderia: “Não me confunda com o burro.”
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