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sábado, agosto 19, 2006

7. A difícil missão de educar

Jornal de Cocal: 9 de julho de 2003

Aos gritos, o pai relata a conversa que teve com a orientadora da escola onde matriculou seu filho de 17 anos numa classe de aceleração que visa a atender alunos em faixa etária não ideal para a série que freqüenta. O boletim treme em suas mãos machucadas na olaria. O raciocínio lógico suplanta-se diante da mágoa, do nervosismo, da decepção. Como os professores de seu filho, não sabe mais o que fazer por alguém que leva a vida no “tanto fez como tanto faz”.
Esse fato se repete com freqüência inconcebível em nosso meio. Pior do que isso, são os alunos que não têm quem se preocupe com seu desempenho escolar e seu futuro no mercado competitivo.
Os problemas profundamente crônicos que envolvem o ensino, são objetos de pesquisa de diversos estudiosos apaixonados pela educação e motivos de amplos debates entre os educadores. Quase toda a sociedade tem consciência do caos vergonhoso que detona a esperança de reerguer a auto-estima, o valor e a riqueza desta nação. Sabe-se que é preciso trabalhar a realidade, motivar, dar sentido às aulas, verificar o que é essencial e de interesse do educando. Porém, mesmo tendo em mente os objetivos e estratégias valiosas, na prática passa-se longe da força capaz de mexer com o interior humano, de provocar a curiosidade e de despertar para enfrentar um mundo tão repleto de informações. Temos muito ainda a investigar.
Filhos, pais e professores são vítimas de um sistema massacrante que “desgoverna” a organização, a ordem e as leis naturais que regem a vida social.
Reflexões constantes trazem à tona a urgência necessária na mudança do comportamento social. Como o processo é longo quando se pretende mexer em hábitos enraizados, a paciência tem que ser paciente. Não adianta brigar, gritar e discursar contra as falhas. Também, não é admissível a passividade e a omissão em relação aos erros percebidos. É preciso ser coerente, crítico e manobrista esperto para poder se manifestar eficientemente.
Veja só! Buscando soluções exeqüíveis para problemas seculares, cai-se em argumentos generalizados que desviam parcialmente a possibilidade de encontrar uma resposta específica. O que fazer para ajudar aquele pai? Como convencer o aluno que precisa ser mais responsável pela sua vida? Dá para instrumentar devidamente os educadores?
Têm-se algumas sugestões. Resolve? Não de imediato, reformar uma estrutura histórica é dificílimo. Disso temos consciência. “O problema é que o problema continua” Calma, é um caminho longo... Então, temos que admitir o quanto somos fracos e desunidos. Muito mais frágeis que esse antigo sistema!

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