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domingo, agosto 27, 2006

68. Seu Inácio

Jornal de Cocal: 29 de setembro de 2004

Tem pessoas que possuem uma luz tão forte que quando se aproximam dos outros são capazes de passar uma paz inexplicável. Há outras que não sabem ler e escrever, mas “dão um banho de cultura” com suas histórias de vida e reflexões. Também, há aquelas que servem de exemplo para quem quer ser um vencedor nesse mundo cheio de problemas. Você conhece alguém que tem todas essas qualidades? Tente lembrar!

Não há como deixar de admirar pessoas que chegam à terceira idade, falando com sabedoria das coisas boas e ruins. Geralmente, elas conversam com os olhos e com a alma.

É invejável a beleza do coração de certos seres humanos que souberam fazer proveito dos ensinamentos que receberam de seus pais, amigos, vizinhos, professores, filhos, e inclusive, de seus acertos e erros.

Conhecemos muitas pessoas que possuem algumas dessas características, mas é difícil encontrar quem tenha todas. Algumas são carinhosas e repetitivas em seus discursos pessimistas. Outras vivem lendo e se atualizando, mas são extremamente frias em seus relacionamentos. Há aquelas que realizaram grandes conquistas se corrompendo e não se arrependem de nada.

Quem tem sensibilidade para perceber a beleza interior do seu semelhante e já conhece Seu Inácio, deve ter se lembrado dele. Ele é um senhor que aos 81 anos encanta pela lucidez e nos faz pensar em suas palavras ditas, numa conversa informal, num dia cívico especial: “Eu tenho orgulho e vergonha de ser brasileiro e te digo porquê. Esses dias, eu estava sentado num banco de praça e uma velhinha, de origem italiana, como eu, puxou conversa comigo. Ela me disse: ‘Posso te fazer uma pergunta?’. Eu disse que podia, e então ela falou: ‘Você um dia pensava que nossos netos, tataranetos, iam fazer de volta o caminho de nossos pais, que vieram para o Brasil buscar trabalho e melhorar a vida?’ Eu disse: Não, eu nunca pensava que isso ia acontecer. É por isso que eu tenho vergonha de ser brasileiro. Essa gente que vai pra lá, trabalhar, ganhar dinheiro, é gente que estamos perdendo. E te digo porque estamos perdendo essa gente: lá, eles casam, têm filhos, registram, o salário é melhor e por isso não voltam mais. Os culpados disso tudo, são os mandatários do nosso país, os que estão lá em cima. Se eu estou errado, pode me corrigir, que não fico brabo.”

Quem já parou para pensar que essas pessoas vão trabalhar na Itália, na Alemanha, em Portugal ou nos Estados Unidos, “estão sendo perdidas”?. Geralmente, comentamos sobre os pais que não vêem os filhos crescerem, os casamentos que se desfazem ou os bens materiais que fulano construiu com os dólares que beltrano mandou. Mas, Seu Inácio está mais preocupado com “essa gente o Brasil está perdendo.”

Devemos ouvir esse alerta e fazer algo para que o Brasil seja capaz de formar mais cidadãos conscientes que mostrem como se ganha e pare de perder. Não pode ser tão difícil buscar a prática constante de bons princípios para se ter mais orgulho do que vergonha de ser brasileiro.

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